Kick me under the table all you want, I won't shut up
Comentando um pouco sobre escrever todos os dias, mesmo este sendo somente o segundo: não é fácil.
Mas aqui vou eu.
Como alguns de vocês sabem, faz seis anos que estou tentando me formar como historiador da arte na Universidade Federal de São Paulo. Hoje tenho muito orgulho da minha trajetória, mas foi algo que tive que aprender a valorizar. Um porque a formação está demorando muito; dois porque terminá-la não quer dizer que serei uma pessoa com emprego; e três porque estar dentro de um ambiente acadêmico me desgastou muito, ainda mais se comparando com alunos que só estudam e não trabalham.
Hoje foi um daqueles dias estranhos; acordei com pressa, ansioso por causa do TCC, triste que tive que sair de casa, na Bela Vista, às 16h30, e cheguei na universidade, em Guarulhos, às 19h30.
Esqueci meu bilhete BOM em casa e quando estava prestes a desistir, lembrei que tem dois homens suspeitos que ficam no terminal com bilhetes, vendendo passes de ônibus mais barato.
- Aceita pix?
- Aceita.
- Quanto?
- Seis, amigo.
Paguei, subi no ônibus lotado e fiquei perto da porta. Dormi ouvindo o álbum novo da SZA, em pé. Acordei com alguém descendo do ponto, o ventinho do abrir da porta soprando na minha cara, me desnorteando.
Estava cabisbaixo, vi a aula toda com uma sensação fugitiva para no final, ganhar esse documento comprovando que, de alguma forma, eu sabia o que estava fazendo; pelo menos ali, naquela matéria.
Fiquei tão feliz de ganhar um "parabéns" esferográfico em uma folha almaço no último dia que fui obrigado a ir ao Pimentas, que pedi um uber de R$60 para casa.
Fiquei com um quentinho no coração que não sentia desde o colégio, quando ia bem em uma prova e mostrava para minha mãe, que sempre fazia festa.
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