Did they tell you, you should grow up, when you wanted to dream? Did they warn you, better shape up if you want to succeed?
Às vezes a gente bate tanto a cara na parede, que a dor se transforma em algo confortável. Sim, a dor, aquela experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada à lesões reais ou potenciais dos tecidos, que serve muitas vezes para criar traumas, deixar claro que tal coisa é física ou emocionalmente impossível. A fratura na parede começa a ter o encaixe perfeito da sua cabeça, o cheiro do sangue te remete a algo familiar e a inércia do movimento se faz música.
É assim que venho me sentindo perseguindo um sonho de carreira dentro de um mercado que deveria ser tudo aquilo que ele não é: coletivo, criativo e acolhedor. Uma vez ganhei um presente de uma amiga querida, onde tirei cartas e os seres místicos me disseram que era pra eu tentar, que ainda existiam chances e que o universo queria que desse certo. Mas, novamente, o que é dar certo?
Me encontro encurralado, preso em uma casinha minúscula que somente cabe a ideia de mim, alguns pensamentos e mágoas, mas não existe muito espaço para o volume. Estou bem, estou bem. Converso com Emily Haines e seus ossos macios, danço como um adolescente cheio de hormônios em uma caverna fechada, somente com um buraco misterioso no topo, que parece tão perto, mas que, ao mesmo tempo, se encontra muito distante. Ela sussurra para mim keep doing it wrong, keep singing along, enquanto não consigo me aprofundar nos mistérios do ofício que gostaria de trilhar, achando que tudo que venho fazendo é um esboço do que poderia ser e uma faísca. Com o atrito de duas rochas, uso essa faísca para fazer fogo e incendiar a caverna comigo lá dentro, fazendo queimar a escuridão e as sombras de tudo aquilo que vejo projetado aqui dentro.