#6/365 - 07.12.22 - São Paulo | O jovem
Ontem eu li "O Jovem", da Annie Ernaux, em que ela narra sua história de amor vivida aos 54 anos com um homem 30 anos mais jovem. Achei o livrinho de uma beleza extraordinária, onde ela não fala apenas da história sobre os dois, mas dos desejos femininos e dos preconceitos que sofremos como mulher. Para ela, não era a novidade que a atraía, mas poder repetir histórias já vividas que àquela altura da vida achou que seriam apenas lembranças distantes.
Eu me identifiquei como sabia que me identificaria. O Ola é 13 anos mais jovem que eu. Isso já rendeu textos, terapia e uma crônica escrita pelo Chico Felitti, num blog que o escritor tinha na Folha. O texto foi escrito quando eu era Luna e estava prestes a me casar:
"Havia duas distâncias bem grandes entre eles. A primeira era geográfica, dos 11.000km que separam Estocolmo de São Paulo. [...] A segunda distância, das idades, caiu aos poucos, com o tempo."
Quando nos conhecemos, não demorou para sua família inteira aterrissar no Brasil para sondar com quem ele andava se atracando. Ele tinha 22 anos, eu 35. Fui recebida de braços abertos. A mais preconceituosa em toda a nossa história era eu. Demorei para nos aceitar juntos e tentei nos boicotar, mas ele foi insistente. Às vezes tenho recaídas quando me dou conta de que a menopausa está batendo na porta.
O que eu aprendi nesses 14 anos juntos foi que o importante numa história a dois é existir troca e entre a gente tem o tempo todo. Aprecio a história que construímos juntos. A nossa cumplicidade e companheirismo.
"No final das contas eu sempre acho que somos um casal de conto de fadas sem ser, porque o Ola é muito sarcástico pra fazer parte de um.”