#23/365 - 30.01.23 - Berlim | A solidão
Estou lendo "A Cidade Solitária: Aventuras na arte de estar sozinho", de Olivia Lang. A leitura tem me absorvido também pelas referências artísticas da autora, que morou uma temporada em Nova York, uma das cidades mais cheias do mundo, mas onde se sentiu terrivelmente sozinha como muita gente se sente nas grandes cidades.
"A solidão eleva a pressão sanguínea, acelera o envelhecimento, enfraquece o sistema imunológico e age como precursora do declínio cognitivo.", escreveu Lang.
Coincidentemente estou estudando sobre a felicidade num curso oferecido pela Harvard, a qual desde 1938 tem um estudo ativo sobre o tema que começou com 724 participantes, alguns deles ainda vivos, e hoje conta com 1.300 descendentes do grupo inicial.
Entre as conclusões sobre o que nos ajuda a viver mais feliz, saudável e ter uma vida mais longeva, são nossas relações o ponto mais importante. Quanto mais socialmente integrados somos, melhor vivemos. Esta também foi a conclusão tirada num estudo sobre o que faz as pessoas viverem mais nas "Blue Zone", lugares específicos no mundo com alto índice de expectativa de vida, onde muitos moradores vivem mais de 100 anos de idade.
Gosto de como uma coisa leva à outra, não é à toa que a minha newsletter se chama Espiral. Estou aqui escrevendo sobre felicidade, mas o texto era sobre solidão. Parei tudo para escrever porque li um trecho do poema "As multidões", de Baudelaire, que me tocou especialmente por tocar nesse lugar da solidão em meio à multidão -e me remeteu ao livro "Flâneuse", de Lauren Elkin:
"O poeta goza do incomparável privilégio de poder ser, como e quando queira, ele próprio e outro. À semelhança das almas errantes que procuram um corpo, ele entra, quando quer, na personalidade de qualquer um. Para ele, e só para ele, tudo está vago".