#21/365 - 21.01.23 - Berlim | A tristeza
Às vezes ela chega sorrateira, se acomoda como se estivesse na sua própria casa e vai ocupando cada espaço... quando nos damos conta, ela está toda esparramada, tomando conta do lugar como se fosse dela. Você tenta expulsá-la, mas ela bate o pé e fica. É destemida a ponto de começar a mandar na casa. Não te deixa dormir, faz você chorar, transforma sua vida numa agonia. Você tenta fugir, mas quando olha no espelho, ela está do outro lado te encarando. Ela te acompanha no almoço, no jantar e vai atrás de você quando enfim decide fugir dela saindo de casa. Não tem jeito, ela fica no seu pé te atormentando.
Livrar-se dela nem sempre é simples. Você faz terapia, conversa com amigos, escreve para ver se a clareza das palavras traz dicas de como expulsá-la de você, até que um dia você acorda e percebe que ela não está mais ali. Ela foi embora sem deixar bilhete e ou explicação do porquê veio.
Você se sente aliviada, mas não entendendo como ela escapou, você se encara demoradamente no espelho para ter a certeza de que está sozinha novamente. Um sorriso então se forma na sua frente.
Ela foi embora mesmo.