#19/365 - 09.01.23 - Berlim | O êxtase
Após uma festinha em casa no sábado para celebrar o aniversário do Ola, uma amiga nos convenceu a esticar a noite no Mitte, onde um amigo discotecava. Decidimos ir, mesmo o lugar não sendo muito animador, um café de janelões de ponta ao ponta todo de vidro deixando o espaço muito iluminado que poderia ter uma cortina para deixar o ambiente mais aconchegante.
Peguei uma cerveja sem álcool, pois aderi ao "Dry January", e fui dançar na pista improvisada. A música estava ótima, enquanto o público era uma mistura de locais, turistas e curiosos que passavam pela porta e entravam para ver o que estava rolando.
De repente, um rapaz chamou a atenção pelo jeito gazela de dançar. Mordia a blusa, ria e pulava levantando os braços. Era impossível não notá-lo. Eu e amigos passamos a confabular sob qual substância o garoto se encontrava, até ele se aproximar para puxar papo com minha amiga:
"De onde você é?"
"Brasil."
"Brasil!!! Eu adoro tango!"
"Brasil não é o país do tango."
"Ih, foi mal! Eu sou dentista, um doutor."
"Olha só! Quantos anos você tem?"
"28"
"Uau, novo para ser doutor."
"E você, o que faz?"
"Sou designer."
"Deve ter bons olhos. Qual sua cor favorita?"
"Não tenho, acho injusto escolher uma cor favorita em meio à tantas cores bonitas."
"Oh! Bonita e inteligente. Cadê seu namorado?"
"Não tenho."
"Já namorou mais novos?"
"Não."
"Deveria tentar." - e abriu o sorrisão para a minha amiga que tem 35 anos e voltou a pular.
Há tempos eu não via alguém estar sob efeito de bala pela primeira vez, o que é sempre fascinante. Mas ali ficou mais claro o porquê da política rígida para entrar nos clubs em Berlim, como o Berghain, pois imagina se não teríamos festas semanais ocupadas por gazelas dançantes.