#18/365 - 05.01.23 - Berlim | A cobrança
Há tempos eu não sentava a bunda para escrever por 8 horas seguidas. Estou exausta, mas gostei do resultado. Eu queria saber qual é o tempo que levo para escrever a minha newsletter Espiral. A conclusão é que, caso eu queira produzi-la primorosamente, gastarei ao menos 2 dias inteiros escrevendo e condensando nela tudo que consumo no dia-a-dia.
Eu sempre tive muita dificuldade em cobrar pelas coisas que faço, mas sempre fui ótima para colocar valor no trabalho dos outros. Posso ser uma boa vendedora, mas não de mim mesma. Uma das decisões tomadas para 2023 é cobrar o que acho que mereço para fazer o meu trabalho, isso inclui a newsletter.
Sei que ser paga para escrever a própria newsletter é uma construção diferente de orçar um projeto pontual, em que somo as horas estimadas de trabalho x valor/hora e tenho o custo, mesmo que ainda assim as pessoas/empresas não necessariamente pagam este valor.
Eu já estive dos dois lados da mesa. Sei que a priori a regra é barganhar, mas muitas vezes a barganha é injusta. As empresas/agências nos esmagam até conseguir tirar o que puderem. Rolam chantagens, como "para esse trabalho a verba é pequena, mas no próximo a gente te compensa", porém o "próximo" não vem. Nos vendemos do jeito que dá porque ficamos inseguras de não nos chamarem mais para outros projetos.
Já aconteceu comigo? Claro! Especialmente agora que moro em Berlim e não dá mais para negociar o meu valor/hora por conta do câmbio. Peço um valor/hora diferente do que cobro quando o projeto acontece em Berlim, que aqui é o valor cheio que uma pessoa com meu perfil cobra. Lamentam e desaparecem, mas a cada dia eu aprendo que pessoas que sabem o seu valor e cobram por ele, acabam sendo bem-pagas.