#17/365 - 04.01.23 - Berlim | O aniversário
Hoje é o aniversário do Ola, o meu marido. Levantei às 8h da manhã para tomarmos o café da manhã juntos e qual foi a minha surpresa ao abrir a cortina? Me deparar com um céu inteiro cor-de-rosa e um arco-íris se alongando de ponta a ponta, como se estivesse me mostrando onde está o pote de ouro que tanto tenho procurado.
Considerei um sinal positivo. Uma esperança que se estende para fora da minha janela. Um lembrete. Depois o céu fechou, a chuva veio e o dia ficou cinza.
Eu tive um pouco de vontade de chorar, logo eu que tenho chorado tão pouco. Nem sempre foi assim, eu chorava lendo notícia no jornal. Mas segurei o choro, porque hoje é dia de aniversário e chorar é tirar o prazer do outro, estragar o seu dia, dar preocupação. Achei egoísta da minha parte, então engoli o choro.
À noite, decidimos jantar no Michelberg, restaurante que estivemos uma vez antes de nos mudarmos para Berlim. Tínhamos ido a um show do Theodore, onde um amigo me deu um cogumelo que eu comi sem pensar. Pronto! Eu era a própria loucura durante o show e outra loucura fora dele.
Para me acalmar, me levaram para jantar no Michelberg. Eu tenho pouca lembrança da noite, além de rir descontroladamente, de ficar muito faminta e de não querer pagar a conta. Uma vergonha atrás da outra desfilando impassível na passarela. Jovens, eu diria hoje!
Deve ter sido menos ruim do que eu lembro, senão o Ola não teria topado jantar num lugar responsável por um trauma na vida dele. Desta vez, sóbria até o último fio de cabelo, tomamos vinho sem álcool servido e cobrado como se fosse com álcool, experimentamos um menu degustação e, por fim, rimos lembrando da fatídica noite.