#13/365 - 23.12.22 - Berlim | O parto
A Vanessa, uma das minhas melhores amigas, completava 9 meses de gravidez enquanto eu fazia as malas para viajar para São Paulo. "Segura o Dante, eu estou chegando", avisei já ansiosa para conhecer o bebê.
Fui visitá-los tão logo cheguei ao Brasil, no entanto o Dante continuava tranquilão no útero da mãe sem denotar pressa para vir ao mundo. A Vanessa estava entediada e meio mal-humorada com o atraso da sua chegada.
A sua barriga estava enorme. Pesada. Eu não conseguia parar de olhá-la enquanto ela dizia que se o Dante não nascesse até o dia seguinte, ela teria que fazer indução. Onde já se viu essa criança não querer nascer? Lembrei da abertura do filme "Bardo: Falsa Crônica e Algumas Verdades", em que um bebê nasce, mas não gosta do mundo que encontra, então é devolvido para o útero da mãe.
Mas eis que, de repente, a Vanessa começa a gemer com as primeiras contrações. O tempo parava, ela inclinava o corpo de maneira estranha e não falava absolutamente nada até a sensação passar. Eu, que não tive filhos, não conseguia imaginar o que ela sentia. Não parecia fácil.
Ao meu lado, a Ayra, sua filha de 3 anos, gritava "Sai Dante!" encarando encantada a barriga da mãe.
O trabalho de parto começara. Para matar o tempo, escrevemos em letras garrafais "ORDEM DE DESPEJO" na barriga da Vanessa, fizemos fotos para o álbum da família e depois fomos tomar sorvete. À essas alturas as contrações aconteciam a cada 5 minutos. O Dante finalmente estava pronto para vir ao mundo.
Não demorou para a minha amiga seguir para o hospital, onde o Dante nasceu após 1h30 num parto normal.
Chegou saudável, bonito e é o bebê mais peidorreiro que já conheci. Nasceu praticamente cagando para o mundo. Boas-vindas, Dante!