#12/365 - 22.12.22 - Berlim - O nome
Estávamos no intervalo do jogo Argentina x França quando meu pai soltou a bomba "Por que será que a sua mãe trocou de nome?". "Como assim trocou de nome?".
Eu estranhava o fato da minha mãe ser chamada por um nome diferente do dela quando visitávamos sua família, dois nomes distintos sem qualquer conexão. A minha curiosidade, no entanto, nunca me levou a questioná-la sobre o fato. Sempre supus ser apelido, um nome desejado, mas não dado.
Um dia na terapia eu ouvi "É normal você agir dessa maneira vindo de uma família cheia de segredos". Eu cresci numa família de classe média baixa em que nada parecia fora do lugar. Aos poucos, já na vida adulta, histórias dignas de roteiros hollywoodianos começaram a surgir, porém a do nome apareceu somente agora.
Olhei irritada para o meu pai, que sempre gosta de soltar bombas e rir delas como se já previsse a reação de seu interlocutor. Ele então conta que na última vez que visitou uma prima minha, que tem quase a idade da minha mãe, ela perguntou se ele sabia o motivo que levou a minha mãe a trocar de nome. Isso foi há pouco tempo. Ele então conectou os pontos sobre algumas situações na época em que ele a conheceu nos anos 70 e tudo fez sentido como ela não receber parte da herança a que tinha direito e nem conseguir recuperar um terreno que comprou porque ambos estavam em outro nome, aparentemente o original dela.
Vale a pena lembrar que trocar o nome no Brasil não é uma tarefa fácil e precisa ter uma boa razão para isso. Parece fácil buscar uma explicação colocando-a na parede até que ela responda, mas ela apenas diz enfurecida: "Vocês estão loucos!", e, assim, sua lista de mistérios vai aumentando.