#11/365 - 21.12.22 - Berlim | O retorno
Cheguei em Berlim após 25 horas de viagem porta a porta. É uma terça-feira, a noite está gelada, mas menos do que eu esperava. Há uma semana o termômetro marcava -8ºC, o que me apavorou por não ter roupa adequada para encarar o frio na viagem do aeroporto até em casa, mas para a minha surpresa está 8ºC positivo, o que me impediu de tirar cachecol, luva e touca da mala.
Sinto sempre um "dejà vu" quando volto para Berlim. Tudo se repete: Saio do avião, busco a mala despachada, sigo para a estação de elevador, entro no trem, faço baldeação em Ostkreuz, onde pego um trem que para quase em frente de casa. Quando saio da estação, eu olho em volta tentando reconhecer o local como se fosse a primeira vez que chegasse aqui.
Então, eu sinto uma familiaridade que sentimos quando chegamos em casa, então lembro que agora aqui é a minha casa. O estranhamento hoje acontece quando eu entro na Marginal Tietê após sair do aeroporto. Eu estranho o lugar por onde eu passei inúmeras vezes como se ele fosse uma lembrança distante. Um lugar que visitei algumas vezes. Viajo com os olhos vidrados no movimento insano que rege São Paulo.
Em Berlim parece uma cena ensaiada a que vejo tão logo saio da estação Schönhauser Allee. Eu me encanto todas as vezes. Olho em volta e penso sempre assombrada: "Uau, eu moro em Berlim". Um pouco caipira eu sei, mas essa sou eu, uma caipira nascida em São Paulo que sonhava morar aqui.
Uma calma boa se espalha pelo corpo massageando meu cansaço. Urjo por um banho quente de banheira, mas preciso ainda subir 4 andares de escada carregando uma mala de 23kg e duas malas de mão, mas não ligo. Estou em casa.