73/365 - olivier
Aqui em São Paulo tem uma padaria chamada olivier. É de um apresentador e chef famosinho e, sinceramente, vale o hype. Eu, que gosto de coisa boa, não resisti.
No final do ano, convenci cinco amigas do trabalho a irem lá comigo para um cafézinho de finalização do ano. Chegamos, sentamos e eu e mais uma das meninas pedimos o capuccino com chocolate e as comidinhas. As outras pediram outros itens do cardápio.
Quando chegaram os capuccinos, tinha um lindo, montado, bem estruturado, com as camadas bem aparentes; e tinha um outro todo estranho, o copo parecia ter sido usado por outra pessoa e estava quase pela metade. As camadas não estavam bem determinadas e o chocolate em pó usado para finalizar, estava jogado de qualquer jeito. O bonito foi para essa amiga e o feio veio para mim.
Na hora eu pensei em devolver o constrangimento. E falei com a garçonete que foi debochada comigo falando que os dois eram iguais. Eu insisti com ela que eles não eram iguais e pedi que ela trocasse o meu. Bufando, ela trocou.
Hoje, depois de dias desejando um folhado de chocolate fresco, bem feito, crocante e que derrete na boca, voltei nesse estabelecimento.
Estava em pé em uma fila e chegou logo depois uma mulher que se posicionou atrás de mim. Ela foi atendida primeiro. Quando vieram me atender, pedi o folhado e o garçom disse que iria pegar na cozinha. No auge da minha positividade, pensei: que ótimo! Ele vai me trazer o que acabou de sair do forno.
Era pra viagem, então já chegou na minha mão fechado em um saco de papel. Quando eu saí e abri o saco, dei a mordida com gosto. A desilusão: estava frio e duro.
Eu preciso falar que sou uma mulher negra?