67/365 - quarto branco BBB e a tortura televisionada
Hoje uma colega de trabalho me falou sobre o quarto branco do bbb. Fiquei pensando seriamente se eu, enquanto pessoa física, pegasse algumas pessoas, trancasse em um quarto, desse só água e bolacha de água e sal, deixasse eles dormirem no chão, não apagasse as luzes em nenhum momento, colocasse choro de criança e sirenes em um volume alto para incomodá-los, o que aconteceria comigo? Quais seriam as complicações jurídicas e criminais decorrentes dessas ações?
Eu sei que todos eles assinaram contratos físicos e simbólicos para estarem ali, mas isso é aval para sangria desatada de torturas físicas e psicológicas? Que tipo de sociedade os convenceram que está tudo bem passar por essa humilhação em busca de um sonho?
Esse caso me lembrou o documentário a corporação, que fala de conglomerados como verdadeiros psicopatas. Essas "pessoas jurídicas" possuem muitos direitos e supostos deveres, mas que não são responsabilizados como deveriam por ações claramente desumanas, pois continuam suas incursões em atividades violentas contra nós, contra a natureza e sem nenhuma culpa. Saqueiam dignidades, são piratas que se importam com eles mesmos e continuam aí, vivos e surfando em ondas marketeiras.
Isso é inaceitável.
Fico pensando no sadismo de quem assiste também. A ideia do poder de decidir se aquela pessoa merece ou não algo...
Caso não conheçam, sugiro que leiam sobre o experimento de Milgram. Ele fala justamente sobre como pessoas comuns (funcionários da globo, criadores do programa, espectadores) podem infligir dor (diferentes tipos e níveis) a outrem sob ordens de uma figura de autoridade. Essa figura de autoridade sendo uma corporação sem sentimentos, como que fica?
Complexo. Tenho fritado bastante nisso e acho que é triste a gente ter chegado nesse ponto.
Pessoas fazendo de tudo para ganharem muito dinheiro. A escolha, para mim, não existe. Pode parecer que sim.