65/365 - Tadaskia
Louco ver a patinação onde Vera Iaconelli se enfiou na entrevista com a grande artista Tadaskia.
Eu ouço o podcast dela, isso não é uma sessão de análise, numa curiosidade quase antropológica sobre a vida das amigas da mesma raça e classe social (em sua maioria), onde ela consegue guiar a conversa por campos conhecidos, mas que soam tão white people problem pra mim... Um exemplo: o maior problema que a pessoa compartilha é ser de uma família rica com um restaurante imenso. Aí "nossa, tive que fugir pra Nova York e depois pra outra metrópole pra me encontrar longe dessa grande família que me suporta" (em várias instâncias). Longe de mim subestimar a dor de alguém, não é isso. O apontamento aqui é justamente as narrativas que se repetem dentro desse círculo social.
Mas quando ela cai com uma pessoa que não é da mesma raça e nem da mesma classe social, mas que é muito astuta nas armadilhas da branquitude, os vieses da psicanalista ficam bem claros. Claros na tentativa de encaixar uma forma de educação como vulnerável socialmente, nas frases que interrompem um fluxo lindo do processo da artista, nas risadas nervosas de quem está tão chocada que não sabe o que falar a seguir.
Tadaskia, muito paciente, explica sobre como vê a religião, a sexualidade, a questão da prostituição na população travesti e trans, da sua educação como algo super rico e que ela é grata, a relação com o pai e com a mãe, com a irmã e a criança que a irmã materna. Ela fala sobre seu processo e consegue, com primor, sair do estereótipo de "exotismo" e "ponto fora da curva".
Tadaskia foge do mito da meritocracia, onde "apesar de", ela triunfou. Não! Ela coloca "eu triunfei por isso."
E isso é lindo!