56/365 - as dogs voltaram
Hoje eu voltei a trabalhar. Bom ter rotina, sou grata.
Em meio às notícias de invasão da Venezuela e sequestro do Maduro, fiquei apreensiva, mas tem coisas que só esperar pra ver. Outras, que nem vendo a gente acredita. Flashbacks do Iraque inundaram meus pensamentos. Gritos internos pedindo para que alguém com mais poder faça algo também... Mas será essa a solução?
Li na revista Zum a Milly Lacombe falando sobre fotos de mulheres lésbicas no Ferros Bar, em SP, fotos essas que foram tiradas pela Rosa Gauditano. Enfim, mt bom o texto, recomendo. Mas eu queria falar sobre um trecho específico onde ela fala que quem amarra a corda da censura, está fazendo mal a si mesmo. Eu quero acreditar nisso, mas será que acredito?
Quero acreditar. Karma ainda existe ou estamos na fase que é brega?
Ao longo do dia, conversamos no trabalho sobre livros e sobre nossos anos novos. Meu chefe surfou em dunas, caiu e ficou com a cabeça sangrando. Eu passei com a família suuuper enérgica do meu noivo. A minha colega passou na Serra da Mantiqueira em silêncio, olhando as montanhas... E é pro silêncio que eu quero ir.
Falando em silêncio, tudo menos isso aqui em casa, visto que as cachorras voltaram preenchendo absolutamente tudo com suas coisinhas de dogs. Suas vasilhas de comida e água, suas patinhas com unhas barulhentas, seus muxoxos e respiradas fundas, sem contar a atenção frequente que elas demanda. Impossível não nota-las e não ser completamente tomada por elas e suas necessidades. Impossível barrar as paranóias também. Coisas como: ela tá respirando muito rápido essa cachorra, será que ela tá bem? Essa aqui tá peidando muito fedido, temos que ir pro veterinário. A ração acabou! Elas precisam de banho! Podemos dar pedacinho de banana?
Dias completos com elas.