5/365 - Volta ao trabalho, não monogamia e mais
É meu primeiro dia de volta ao trabalho depois da cirurgia que abriu minha barriga em três lugares. O céu chora compulsivamente em SP ilustrando bem meu estado de espírito. Eu quero muito ganhar na loteria para não ter que trabalhar. Passaria o dia inteiro pintando, fazendo cursos, cantando e dançando nua e aprendendo receitas. Claro que também viajaria e pagaria para entrar em casamentos de diversas culturas. Enfim, uma mulher simples (só parece).
Amo a expressão "só parece" e uso com frequência. Porque realmente eu só pareço muitas coisas.
Hoje tá sendo um dia difícil, desconexo, melancólico, de muitas puxadas de ar e de impor limites para familiares e um ficante em especial.
Essa pessoa, que eu conheci no metro e me apaixonei perdidamente, tipo um filme, e fiquei vasculhando redes sociais atrás dele, até que achei no bumble, é um amor. O que eu sinto por ele é perto disso, mesmo. Carinhoso, sabe cozinhar, é generoso e mão na massa. Também faz coisas interessantes, tipo soltar pipa, fazer lambes, trabalhar num lugar super legal e montar móveis. Sem contar fisicamente, que me atrai horrores. No entanto, ele namora.
Sim.
É não mono e não é a primeira vez que eu lido com pessoas com essa filosofia. Talvez por ele ser tão meu tipo que esse fato tem pegado ainda mais no meu coração. Eu não quero ser a outra (posso me arrepender de ter escrito E publicado esse texto em algum momento da vida, mas bora). Eu não quero ser a parte não assumida, a parte que não passa os natais junto da família dele ou da minha. Não quero não ter a liberdade de fazer viagens em família e tirar foto brega de casal. Enfim, vou parar de vê-lo com dor no coração. Preciso respeitar meus limites.