53/365 - o que não dá pra esconder
devo ter escrito sobre isso aqui em algum momento... não me lembro e não quero procurar.
mas queria falar hoje sobre criação. o que nos forma enquanto humanos, o que molda nossa personalidade. o poder das pessoas cuidadoras na nossa vida corrente.
estava na cop30 e entre festas madrugadas adentro e muito trabalho, também muita, mas muita gente, uma pessoa me viu. estava numa padaria, after do after de uma festa onde suei e dancei muito, comendo salame com mortadela, bebendo uma agua, ouvindo a conversa alheia.
ali ele só se apresentou. não falou muito, fomos embora.
no dia seguinte, na feira do açai, numa roda de carimbó, ele chegou de novo. mais direcionado, conversou comigo.
gostei da vibe, continuei conversando e, quando vi o rumo da conversa, me fiz de dificil. meus colegas de trabalho e também de viagem estavam todos lá e eu me despermiti a ficar com alguém perto deles. censura?
pronto. ele pediu pra eu adicioná-lo no instagram e eu disse que não. ele que ia me achar. e, de fato, achou! quando eu vi o perfil da pessoa....... pastor. pastor evangélico.
mil teorias, porque ele não chegou justo em mim a toa. teve algo ali que ele reconheceu e eu também. não deixei ele se aproximar do nada, mas me surpreende que eu não tenha percebido o que me era tão familiar.
esse é o poder do condicionamento.
vim de uma família super tradicional e até hoje não me dou com festas, bebidas, noites. tenho mais tempo fora da igreja do que dentro dela e ainda assim não consigo suspender todos os olhares de julgamento para coisas que me ensinaram lá atrás ser extremamente erradas. esses pensamentos doem fundo, especialmente quando me escapam num lapso insconciente. quantos anos mais vou precisar pra conseguir fugir disso?