47/365 - chapada diamantina
estava lendo drops da fal e fiquei pensando no estilo dela, tão livre, resgatando pequenos objetos do seu relicário, e quis fazer isso também.
muita coisa aconteceu nas últimas semanas. fui pra chapada diamantina pela primeira vez, fiquei na casa dos pais de uma amizade que surgiu repentina e tão aleatoriamente, num ambiente mega hostil, mas aceito. flores também nascem no asfalto, como dizem, e mesmo a caatinga na sua época mais seca tem seu valor.
como dizia, fui pra chapada com mais três pessoas. andei, andei. dancei, ri alto, gargalhadas no vento.
experimentei, em uma única caminhada, chuva, muito frio e calor. vi muitas florzinhas novas, tirei foto de algumas para mandar pra minha tia que acredita que flores são o substrato da beleza de deus. comi cacto e fiquei surpresa por lembrar palmito, tanto na textura, quanto no gosto.
como é lindo algo tão espinhoso conseguir ser transformado em uma comida tão gostosa?
me perdi.
subi uma trilha tão ingreme que fiquei roxa com as quedas inevitáveis. me molhei nas águas cheias de ferro com calma. ri, gargalhei e chorei nessa água, pensando na flexibilidade.
fiquei sem palavras diante da cachoeira do buracão. me nutri com a comida da dona núbia, que arrasa nos almoços, mas não tanto nos cafés da manhã.
comi acarajé, mixirica e pizza com banana da terra em mucugê. bebi suco gumi e dancei muito forró.
fiquei sem sinal.
dirigi. fui à feira comer pastel onde tinha uma lojinha chamada magnólia. me apaixonei.
peguei carona e fiz muitas coisas pela primeira vez. fiquei vários dias sem reclamar, um marco! fui guiada em várias viagens musicais.
encontrei par de olhos com sombrancelha marcada e parecia que aquilo tinha tanto tempo...
não quis voltar pra sp.
mas voltei. aqui estou já com muitas saudades. vem coragem!