39/365 - a admiração por quem se permite olhar além
Eu tava pensando que na correria do tempo passando, é muito fácil e confortável entrar numa rotina e nunca estar aberto para o novo.
Lembrei também de quando a minha família migrou para outro país e a comunidade brasileira foi muito muito importante para eu manter os meus pés fincados na minha nacionalidade, mas também fechou meus olhos sutilmente e minha boca com comidas gostosas para a cultura desse outro lugar, do lugar novo. Se alguém me perguntar das comidas de Portugal, mais especificamente da cidade litorânea onde morei, vou saber dizer a partir única e exclusivamente da perspectiva da merenda escolar. Fora de lá, nunca fui em um lugar, olhar no cardápio para conhecer as especifidades, os temperos.
Hoje quando vejo alguém que migra pra SP, local onde eu moro atualmente, fazendo isso, tenho vontade de pegar carinhosamente na cara da pessoa, olhar bem nos olhos e falar: tenta fazer algo novo, conhecer pessoas que não são do mesmo lugar que você. Ande, conheça seu bairro, se perca, se permita.
Mesmo para pessoas que não migram, tenho vontade de falar "conheça mais sobre o local que vc mora para além do seu bairro". Isso deveria ser muito importante e valorizado. Aliás, andar deveria ser mais valorizado.
Não se enganem. Apesar da aurea de sabia que dá conselhos maravilhosos, muitas vezes eu escorrego para o conforto do que eu já conheço. E é muito gostoso mesmo estar com quem nos entende, tem as mesmas referências, come as mesmas comidas e sabe dançar todas as músicas.
É um exercício olhar novo.