32/365 - GLÓRIA MARIA
Sabe aqueles momentos um pouco antes de acordar que a gente fica pensando no dia, nas coisas que tem pra fazer, no que vamos comer, se está sol, com quem temos que falar? Pois então, hoje o principal pensamento foi "o que eu vou escrever no nicheless?". E tive várias ideias, o que não é comum. Geralmente eu escrevo sobre o que aconteceu no dia anterior, mas gostaria de registrar outros temas pra lembrar mais tarde de como eu via o mundo e as pessoas.
Acordei, fui ao banheiro, lavei meu rosto e peguei o celular. O choque. Glória Maria morreu!
Eu não consigo por em 300 caracteres tudo o que ela significou pra mim. Eu fui uma criança que não tive tv em casa por motivos religiosos. Minha primeira tv foi com 13 anos, mais ou menos, quando mudamos de país e diante das críticas da pastora, meu pai não só mudou de ideia em relação ao uso de calça, mas também desse aparelho/janela para o mundo.
Antes disso, raras as vezes eu vi fantástico. De férias na casa da tia Dudu, na casa de amigas da minha mãe, pela janela pra enxergar a sala do vizinho, etc.
Eu lembro da TV branca. Das novelas com as pessoas ricas e as pessoas negras em papéis de diarista fofoqueira, porteiro bobo, macumbeira caricata, etc. A lista é longa.
Mas daí vem a Glória! Elegante, uma mulher negra real em um papel de destaque!! Palpável, imagética, incansável, REAL! Quando eu via ela, vinha um entusiasmo em mim, uma curiosidade e principalmente uma grande coragem de fazer faculdade de jornalismo.
Ela é um exemplo de como fazer jornalismo, com uma linguagem simples e acessível, dedicada a todos os públicos.
É com muita tristeza que acompanho essa passagem. Vai em paz GLORIA MARIA.