15/365 - As palavras que sufocam e viva a terapia
Tô aqui pensando nas minhas relações familiares. Complexas demais, cheias de camadas que compõem o que eu sou hoje. Camadas de que? Aí eu já não sei, vou ficar devendo essa definição fechada porque eu acho que depende muito do dia. Podem ser camadas de rochas impenetráveis e perigosas, ariscas ou montadas como armadilhas. Podem ser camadas doces, de amor, de conforto e alegria. Podem ser camadas de gratidão, de cumplicidade, de pertencimento. Podem ser camadas de luto, de não ditos, de engasgo. Eu realmente não tenho fechado isso.
Hoje estou em um dia de camadas de negligência e pensando muito em como isso afeta, como eu me permito ser vulnerável e como eu acolho a vulnerabilidade de outras pessoas que eu amo e com as quais eu realmente me importo.
Ter tido que lidar com muita coisa sozinha, ter que ter me escondido muitas vezes machucada por medo, ter aprendido que de certa forma minha dor não era relevante me marca até hoje. E afeta minha relação com o outro a partir do momento que eu não tenho disponibilidade pra lidar com alguma dor, desabafo ou doença. É foda e eu não penso nisso com frequência, mas quando penso... é uma dor que vem e vem com tudo.
Em dias assim, me permito ver séries que eu curto, recusar convites, me abraçar em silêncio e, mais importante, não me culpar por não dar essa assistência. Aquele banho longo com óleos essenciais e outros macetes pra me sentir minimamente melhor sempre estão na manga.
Mas fico me perguntando se nessas horas não seria melhor eu sair com amigos, deitar em um parque de barriga pra cima, sentir um sorvete de amora derreter na minha língua.
Também é culpa do domingo. Domingo tem dessas. Qeria ser uma pessoa que sai mais.