14/365 - Fitness social, mais uma coisa pra lista enorme do que fazer
Sabe, eu odeio as obrigações. Tem que fazer isso, tem que fazer aquilo, blablabla.
Numa dessas, melhor dizendo, numas dessas, eu sempre acabo em uma espécie de pocket burnout onde fujo pro banheiro com zumbido no ouvido e enxaqueca intensa. Não acho que seja crise de ansiedade e sim uma grande dificuldade em interagir com muita gente em ambientes regados a competição latente e, não raro, vinhos e cervejas. O desejo de ser visto coloca as pessoas em lugares desconfortáveis. E o fomo bate forte na minha cara.
Agora tô lendo uma newsletter e uma pessoa apresenta o termo fitness social, mais um termo pra dizer: vc precisa exercitar a sua habilidade de falar com as pessoas, mesmo que isso signifique forçar relações de proximidade com colegas de trabalho, expor sua vida pessoal em alguma instância, dar risadas de piadas horríveis, participar de mil confraternizações e chegar em casa 00h30 de um dia útil passando mal de estafa mental.
Eu sinceramente, no alto dos meus 26 anos, não aguento mais.
Esses dias tava conversando com uma colega de trabalho, mais ouvindo o desabafo dela, na verdade, sobre como o trabalho estava sugando sua energia vital. Em algum momento eu falei: estamos numa empresa considerada boa para se trabalhar que usou bem demais o lema fajuto "trabalhe com proposito". Sendo propósito, tudo bem receber ligações da chefe no domingo, tudo certo trabalhar até 21hrs, tudo maravilhoso tomar energético pra aguentar, tudo ótimo não ter separação nenhuma de tempo entre vida pessoal e vida profissional.
Nessa, ela, que saiu de uma cidade pequena no interior, disse que sente certa inveja dos que não foram pra cidade grande em busca de oportunidades, porque eles estão vivendo bem, sem essa pressão, felizes, sem idas frequentes a um psiquiatra e calmos.
Alugou um triplex.