141/365 - minha gordita
Minha Doguinha, que eu chamo eventualmente de gordita, mas também de carinho, amorzão, butijaozinho, marronzinha, bananinha, galinho de briga, saco sem fundo, gulosinha, entre vários outros nomes carinhosos (ela atende todos), está dormindo pesadamente do meu lado.
São duas da manhã e tô acordada pq despertei com ela me chamando 00h. Estava passando mal e eu sabia. Sabia porque conheço ela há muitos anos. E ela sabe de mim também. Talvez seja uma das relações mais recíprocas que tenho hoje. Na vida.
Levantei, dei água, sabia que ela estava com sede.
Coloquei uma coleira e saímos. Ela fez diarréia.
Tem alguns dias que ela tá assim, com diarréia. Algumas com sangue, outras com aspecto gelatinoso, todas acompanham gemidos e aflição.
Na sexta passada passamos com uma oncologista que disse que ela vai precisar de quimioterapia. Doeu. Chorei. Ela riu e ficou agitada, como sempre.
Agora acordou. Balançando o rabo.
Não sei quem tá mais ansiosa. Eu ou ela.
Mas dói. A sensação de que ela vai morrer em breve lateja em mim. Passou tão rápido esses anos todos. Em julho fazem 10 anos já. Ela me acompanha com tanto amor e altruísmo. Eu queria poder tirar toda a dor com a mão.
As notícias com questões relacionadas a saúde vem de todos os lados. Minha irmã também, depois de anos de abuso de álcool e medicamentos, está com suspeita de hepatite pelo abuso dessas substâncias. Diz que não quer viver, xinga. É triste.
Como algumas pessoas podem ter tanta mais sorte do que outras? Como nossas vidas tomou rumos tão diferentes?
Eu só quero que ela não sinta dor. Que ela se sinta cuidada e, se for a hora, partir em paz. A doguinha também.
Não sei mais o que escrever. Isso já doeu muito. Tenho falado na terapia sobre