130/365 - voltas e voltas
Hoje, num evento super cansativo do trabalho, uma das colegas veio me falar do nada: vamos fazer um encontro regional no sul da Bahia, quer ir?
Perguntei onde era.
E a resposta me assustou. Exatamente o assentamento que minha avó mora!
Apontei isso pra ela, chamei meu chefe e perguntei se poderia ir. Ele disse que sim e realmente acho que vai rolar.
Algumas horas depois, eu tive que pedir ajuda de um outro colega para localizar uma fonte em um milhão de pessoas. Pedi sugestões até que ele chegou em um nome. Exatamente o nome do meu pai, filho da minha avó que mora no sul da Bahia. Meu pai mora lá também.
O que aconteceu família paterna? Por que estão aparecendo assim?
Bem, continuando. Kamikazes. Eu queria falar sobre isso porque hoje, nesse treinamento intenso com parte do corpo de funcionários, pessoas em diversas posições, uma estagiária pediu a fala e disse: essa empresa (que tem mais de três décadas de existência) NÃO É SÉRIA. Não adianta não ter a obrigação de bater ponto, mas a gente ter que lidar com nenhum estagiário sendo contratado ou com lágrimas brancas.
Eu fiquei tão chocada que acho que mudei de cor na hora. Nunca que eu, na minha época do estágio, teria peito para fazer algo minimamente parecido.
Depois, conversando com outros colegas da mesma faixa de idade dessa que falou, eles expressaram revolta. "Nós somos assim porque tudo é mais difícil pra gente. Não temos garantia de absolutamente nada. Os níveis de ansiedade e depressão são altíssimos. A vida social completamente deteriorada pelas redes sociais. Estamos com cada vez menos direitos e poder de compra. É triste. Por isso que falamos mais. A injustiça nos dá coragem".
Que loucura né? Minha geração aceitou muita coisa... É nossa responsabilidade também.