129/365 - cirurgia
É. Não tem pra onde fugir.
Não sou negacionista e mais: acredito muito na ciência, na medicina, apesar de estar cantando a música "lenda", da céu loucamente nos últimos dias.
Minha dog vai ter que operar. Mas antes, dá-lhe prediderm, dá-lhe remédio pra não ter trombose, muitos exames de sangue e do coração. Ela odeia tadinha, mas tenta entender. Me olha com uma expressão que me corta por dentro. Como fazem as mães com os filhos doentes? Desesperador. E cuida pra ela não lamber o caroço que parece um filme de terror gore.
Sinceramente...
Muito triste tudo e eu passo muito tempo em silêncio. Só lidando com essa informação. Querendo que passe logo, mas que ao mesmo tempo o tempo não passe pra ela.
Hoje eu ouvi sobre criogenia. Imagina só que essa loucura facilitou com que hoje a gente tivesse transplantes de órgãos em humanos.
Pobres ratos.
Mas entendo o desespero. Fugimos da morte ao mesmo tempo que não. Somos cercados por ela e nos alimentamos disso.
Hoje fui na USP numa atitude de delírio. Dei bolo no meu trabalho, dormi apenas 20 minutos a tarde depois de bater um prato de feijoada (dois), deixei de levar as dogs pra passear...
Peguei o ônibus errado sem saber e desci bem mais longe de onde eu ia. Adorei andar. Andei rápido achando que estava atrasada, entrei no prédio, falei boa tarde pra secretaria e segui pra sala. Dei de cara com o espaço fechado, luzes apagadas, janelas cerradas. Voltei e perguntei da aula. Ela me disse: semana santa. Todas as aulas estão suspensas.
Decidi passar mais um tempo lá. Fui na biblioteca, trabalhei até às 19h, fiz cocô no primeiro andar, li os registros na porta do banheiro e ri com um adesivo que dizia "latidos americanos".
A vida assim.