127/365 - pro found
comecei a ouvir leonard cohen. que voz visceral, profunda, né? profound.
eu entendo poucas palavras soltas. leio enquanto ouço, então é mais sensorial do que inteligível para mim. the last time I saw you, you look someone older.
poxa.
hoje tive uma conversa com uma colega de trabalho sobre luto. tudo começou porque um outro colega, 33 anos, teve um avc. não morreu, mas ficou uns dias internado e agora são pelo menos 60 dias de repouso e bateria de exames.
a vida é tão frágil.
a conversa foi indo e ela falou do pai que morreu de cancer. meu pai vive com câncer. e falou do suicidio de um ex namorado que ela não falava há dez anos. eu tenho uma pessoa suicida na família, uma pessoa bem próxima, e que recusa ajuda. psicólogo, psiquiatra, igreja, terreiro, caps, saídas, nada...
eu não falei de mim. ouvi ela dizendo que a dor de lidar com suicidio é horrivel porque é algo muito definitivo e dilacerante para quem fica.
pauso o cohen agora porque a voz dele também é muito sombria e eu não quero chorar de novo no trabalho.
enfim, são situações que me rondam. rupturas. lembro de mim também, isolada, depressiva, lutando contra mim mesma e como eu repito que, se acontecer (o que eu não quero) eu preciso entender que foi uma tentativa de parar com a dor.
estou chorando no trabalho.
hoje instalaram uma nova câmera aqui no corredor do lado da minha mesa. será que pega eu escrevendo coisas pessoais? será que meu computador é monitorado? imagino que sim.
hoje também meu sutian abriu do nada e eu senti um alívio momentâneo. precisei ir ao banheiro e uma colega de trabalho me ajudou a voltar no estado de incomodo. incomodo que nós, mulheres, nos inflingimos. choro.