126/365 - morrendo por sexo
Menstruei. Briguei. Chorei alto de madrugada em cima da minha cachorra mais velha. Ela ficou comigo por uns dois minutos e depois, como raramente ela faz, me deixou e foi pro quarto ao lado do banheiro onde eu estava.
Entendi o recado.
Get your shit together, bitch.
Voltei pra cama e dormi.
Estou já no final da mini série morrendo por sexo. Gatilhos e gatilhos. Fui meio crua, sem pesquisar a fundo e consegui entender um pouco da minha profunda falta de libido com meu amor mais próximo.
É fácil transar com desconhecidos, inclusive saudades. Abriu um bar de fetiche aqui perto e não tudo o que eu queria era ir lá e ter sexo com uma pessoa que nunca mais vou ver na vida. Falando assim, parece que já tive essa experiência, mas nao... sou muito careta, confesso. Mas vontade não falta.
A novidade concentra seus pensamentos nas questões mais imediatas. Você está ali, a outra pessoa também. Ambos querem transar loucamente e gozar. Depois, com sorte, sem burocracia, sem aprofundamentos, sem dia a dia, sem conversas difíceis. Sem conhecimento. Sem chances daquela pessoa, sem querer, te ativar gatilhos. Sem chances dela saber que alguém te machucou e que é por isso que as vezes você entra em um buraco e fica lá por dias implorando para aquilo passar logo.
Ela não vai lidar com seu mal humor matinal depois de uma noite inteira de pesadelos realistas violentos que, repetindo e remoendo surras que você que você teve quando criança, estragam qualquer menção a um sorriso.
Ela não vai saber que, para você, falar de sexo, real e profundamente, na verdade é bem difícil. E a palavra temida, que começa com "e" e termina com "pro" é uma sombra que ronda, mesmo nos momentos em que você deveria relaxar.