114/365 - antes dele
Hoje é domingo. Ontem não escrevi, aproveitei a gordurinha que deixei aqui para descansar. Dormi muito, ouvi podcast, quase terminei uma série, vi BBB, terminei um livro. Cabeça de santo foi legal, apesar de apressado. A fala que mais me impressionou foi do coveiro dizendo que lidar com a morte o ensinou a viver. Já no fim do livro.
Agora vou começar a hora da estrela pro clube do livro.
Hoje lendo a newsletter da Suleika, que eu sempre falo aqui, ela trouxe uma provocação: escrever sobre alguém que me mostrou uma forma diferente de amar.
E sim. Antes dele, ímpetos de gritar me povoavam. Tudo na minha natureza necessitava de explosões. A minha falta de segurança estava sempre acentuada e o choro era livre, mas não em um sentido bom.
Passar os dias tranquila ouvindo música, conversar por horas ou por horas ficar em um carinho longo, era impensável.
Com ele, o convite a observação, melhor, à contemplação, chegava quando eu menos esperava. Olhar o céu. Ouvir um álbum inteiro. Olhar as peças de um computador. Olhar a luz que o sol faz na casa quando se põe. Ir a feira. Andar de noite. Absorver. Cozinhar e comer lentamente. Tomar banhos relaxantes. Só respirar fundo.
Quando eu penso que passamos tanto tempo em casa, não vejo como um desperdício. O desafio imposto pela pandemia não foi de todo ruim, justamente por essa capacidade dele de ressignificar.
Claro, em algum momento tudo virou um grande pesadelo, minha explosão mostrou as caras e eu fui uma pessoa horrível. Mas antes disso, e é isso que eu quero sempre lembrar, antes disso era bom.
Eu queria ter tido tempo de estar em outros contextos. Com mais grana e estabilidade. Com mais consciência do meu corpo e da minha capacidade de simplesmente relaxar.