09.05.24. 31
Já são 31 anos com fome. Fome essa de ir jantar o mundo que não passa. E quanto mais barriga vai ficando cheia, mais insatisfeito que se acha.
Fome de comer tantas histórias, de mastigar tantas culturas e de engolir tantas comidas. Fome de sentar em tantas mesas, degustar as sobremesas e perguntar todas receitas.
Fome até de ingerir tristezas e sentir gosto de marmita feita pelos outros. Que é pra parar de achar que o mundo é prato feito só do que se tem em casa.
Fome de qualquer coisa humana que faça algum sentido, apesar de não fazer nenhum juízo ou qualquer justiça. Seja doce ou frito, cru ou apimentado, o que importa é saber que se provou.
Já são 31 anos com fome. Passei tantos deles tentando mudar mundo que eu nem havia mastigado. Já diria o ditado, é fácil reclamar de barriga cheia.
O mundo não se muda. Se come. Quem muda mesmo é você. E isso já é muito pra fazer. Pra mudar a si, basta ter fome. E eu tenho 31.